Enigma das crianças verdes, Lenda ou verdade?

Enigma das crianças verdes, Lenda ou verdade?

“Os Filhos de Woolpit” é o nome de um antigo conto que remonta ao século 12, e relata a história de duas crianças verdes. Verdes?! Isso mesmo, VERDES.

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As crianças foram encontradas durante o regime do rei Stephen da Inglaterra (1135-1154), numa época em que viver era difícil por definição. Segundo relatos do século XII, numa tarde sombria do mês de agosto, no Povoado de Woolpit, em Suffolk (Inglaterra), os camponeses estavam trabalhando no campo de colheita quando duas crianças misteriosamente apareceram. Um menino e uma menina emergiram de uma vala profunda, que havia sido feita como armadilha para caçar lobos.

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Para surpresa dos camponeses, o menino e a menina tinham a pele e cabelo da cor verde. As crianças eram do mesmo tom das folhas das arvores e suas roupas eram feitas de um tecido desconhecido na época. As pessoas ficaram assustadas diante da aparição quase fantasmagórica.

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Rapidamente os camponeses perceberam que as crianças pareciam ainda mais assustados e desorientados que eles próprios. Tomados pelo sentimento de compaixão os trabalhadores levaram as crianças para a aldeia, onde os morados correram para ver as estranhas “crianças verdes” com suas roupas estoicas. Existem relatos de que algumas mulheres tentaram lavar a pele e o cabelo das crianças para tirar a cor verde, mas em pouco tempo descobriram que não se tratava de nenhuma pintura, e sim de sua verdadeira pigmentação.

 

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Elas foram bombardeadas com várias perguntas feitas pelos aldeões, porém as crianças falavam um idioma diferente que não era compreendido por mais ninguém no local. Algum tempo depois, as crianças começaram a demonstrar sinais de desespero, choravam e recusavam os alimentos que eram oferecidos pelas pessoas locais.

 

greenchildrrenComo não conseguiam entender as crianças, os moradores resolveram leva-las para a casa do dono das terras.

Segundo os cronistas da época William de Newburgh e Ralph, abade de Coggeshall, os dois foram levados para o dono do feudo, Sir Richard de Calne. Ali descobriram que as crianças não falavam inglês nem nada que se podia reconhecer. Elas se comunicavam em uma língua inteiramente desconhecida. Eles perceberam que as crianças tinham fome, então sir Richard, ofereceu a seus inesperados convidados, uma série de quitutes. Durante cinco dias foram a eles oferecidos diversos alimentos, no entanto as crianças não comiam nenhuma das refeiçoes dadas a elas. Os dois estavam tristes e choravam dia após dia. Até que um aldeão trouxe uma rodada de grãos colhidos, recentemente por seus filhos, e as crianças então se interessaram por feijões verdes. Incrivelmente, os dois sobreviveram apenas comendo feijões verdes durante muitos meses. Com o passar do tempo, aos poucos, as crianças foram se acostumando com uma dieta mais “humana”, por assim dizer.

 

Especialistas da época tentaram, em vão, identificar o estranho idioma falado pelas crianças e analisar o tecido de suas roupas. Entre eles, um sacerdote, versado nas línguas estrangeiras, que também não chegou a identificar a língua falada pelas crianças.

 

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A alguém ocorreu que eles deviam ser batizados, e assim foi feito. De acordo com alguns relatos, a menina tomou o nome de “Agnes Barre”. O batismo do menino não serviu muito, pois poucos meses depois ele, que já se encontrava debilitado, faleceu. A menina adaptou-se melhor a sua nova situação e sobreviveu. A cor verde de sua pele desapareceu gradativamente, cedendo lugar a um tom normal para um ser humano.

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O abade Ralph descreveu a menina como “um tanto descuidada”. Segundo ele, a mulher se casou jovem e viveu uma longa vida com sua família, filhos e marido- em King’s Lynn, Norfolk.

Agnes Barre era sempre questionada sobre seu passado e de onde teria vindo. Mas tudo o que falava, só fazia aumentar o mistério sobre suas verdadeiras origens. Dentre as poucas coisas de que se recordava, havia o fato de que ela e o menino eram irmãos e que tinham vindo da “Terra de San Martin”, uma terra sem sol, onde o crepúsculo era eterno. Todos seus habitantes tinham a pele verde. Agnes Barre não foi capaz de localizar exatamente aonde ficava a sua terra natal. Entretanto, dizia que de onde morava era possível ver, bem ao longe, uma terra luminosa, que ela chamava de “Luminous”. Essa terra luminosa ficava depois de um rio que separava ambas as terras.

Desde menina, Agnes Barre sempre afirmou que se lembrava apenas de que estava cuidando do rebanho do pai e seguiu um animal até uma caverna, onde ela e o irmão ouviram um som alto, parecido com o som de sinos. Assim, atraídos pela curiosidade, vagaram na escuridão da caverna por um longo tempo até que acharam uma saída. De repente, eles ficaram cegos devido a um forte clarão de luz que os envolveu. No instante seguinte ela e o irmão caíram, misteriosamente, nas terras de Woolpit, cujo sol machucava seus olhos e as pessoas, de cores estranhas, olhavam para eles com uma mistura de pavor e curiosidade.

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Agnes Barre contou que a luz do sol e a temperatura diferente os deixaram cansados e desorientados. Quando ouviram vozes e viram pessoas estranhas, ela e o irmão tentaram fugir, mas nunca puderam encontrar novamente o buraco pelo qual haviam saído ou o clarão repentino.

O manuscrito em latim de William de Newburgh está registrado na coleção Harleian do museu Britânico com o número 3875. O documento parece algo que é crível, pois teve como fonte o próprio Sir Richard de Calne. A riqueza de detalhes que são descritos e a preocupação demonstrada pela estranha noção de moralidade da jovem, emprestam ainda mais autenticidade ao documento. Para os estudiosos, um cronista da época não faria comentários sobre coisas ligadas à ética ou moralidade a não ser que o relato fosse verídico.

Segundo a “análise” dos autores Lionel e Patricia Fanthorpe, existem alguns aspectos que dão maior credibilidade à história, entre eles:

Lionel e Patricia Fanthorpe

– As crianças foram de mãos dadas. O que indica que se apoiavam e que viviam em uma situação fora do normal.

– Desconheciam a comida e a recusavam, embora tivessem muita fome.

– Aprenderam rapidamente o inglês, idioma que para elas era desconhecido a princípio. Isto indica que estavam muito bem preparados academicamente.

–As condutas sexuais da garota foram distintas das condutas da época, o que inclusive mereceu os reproves do abade Ralph.

Todos estes fatos foram estudados ao longo dos séculos e muitas teorias foram propostas para explicar esse estranho caso.

Alguns acreditam que tudo possa ser apenas uma narrativa ficcional da época que, de tão forte e repetida, se tornou cada vez mais verossímil.

Existe uma corrente que acredita que a cor verde das crianças era consequência de trabalho forçado em minas de cobre, algo que era muito comum na região.  De fato, a exposição permanente ao pó de cobre tem como sintomas a coloração verde da pele e do cabelo. Isto faria todo o sentido se não contrariasse totalmente o relato das próprias crianças que sempre afirmaram que cuidavam de ovelhas. Teriam as crianças mentido para não voltarem a trabalhar nas minas de cobre? Ou esta teoria não se sustenta?

As crianças verdes de Woolpit

Outros estudiosos acreditam, ainda, que esta história não seria nada mais que uma estranha versão para o mito de Platão e Persófono, ou uma versão que tenta emular os ritos de fertilidade, onde o protagonista masculino era sacrificado e a rainha vivia em prosperidade.

Paul Harris sugeriu em Fortean Estudos 4 (1998) que as crianças eram órfãs flamengos. Provavelmente, segundo Paul, elas eram de um lugar nas proximidades de Fornham St. Martin, que foi separada de Woolpit pelo rio Lark.  Como os imigrantes foram perseguidos no reinado do Rei Henrique II, se eles tivessem fugido para a floresta de Thetford, isso explicaria o crepúsculo permanente para crianças assustadas. Esta teoria elucida fatos como as roupas diferentes e o crepúsculo, mas não esclarece o motivo pelo qual as crianças falavam uma língua desconhecida.

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Uma teoria com base nos indícios médicos relatados propõe que as crianças sofriam de anemia hipocrômica, conhecida como Clorose. Esta condição é causada por uma dieta muito pobre que afeta a cor dos glóbulos vermelhos, deixando uma coloração visivelmente verde na pele.  Em apoio a esta teoria, temos o fato da menina ter voltado a cor normal após a adoção de uma dieta saudável.

Também foi aventada a hipótese de envenenamento por arsênico como a causa da pele verde.

Robert Burton sugeriu em seu livro de 1621 “The Anatomy of Melancholy” que as crianças verdes “caíram do céu”. Estimulando outros a especular que as crianças podem ter sido extraterrestres. Em um artigo publicado em 1996 o astrônomo escocês Duncan Lunan citou a hipótese de que as crianças verdes foram inexplicavelmente transportadas para Woolpit de seu planeta natal. Seria este um caso de experimento genético controlado por alguma inteligência extraterrestre? Ou ainda um misterioso incidente envolvendo o encontro fortuito de um suposto buraco de minhoca?

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De acordo com outras teorias, as crianças vieram de um reino subterrâneo ou de outra dimensão. Poderiam as crianças verdes ter vindo de um mundo paralelo, um lugar invisível ao olho nu? É importante lembrar que a garota disse que “não havia sol” no lugar de onde ela teria vindo.

O mistério ficou sem solução. No final do século XIX, foram propostas explicações que se aproximavam da mitologia da época: as crianças teriam vindo do planeta Marte que então se acreditava habitado. Sua pigmentação verde na pele, seria oriunda da fraca iluminação solar desse planeta.

Apesar do caráter, aparentemente, folclórico e misterioso, toda essa incrível narrativa foi registrada na época por dois historiadores. Muitas explicações mundanas foram propostas ao longo do tempo, na tentativa de esclarecer o mistério que cerca o aparecimento das crianças verdes. Talvez a verdade ainda esteja lá fora, na forma de uma evidência esquecida pelo tempo ou até mesmo trancada para que nunca seja encontrada.

Para muitos, sempre será melhor e mais conveniente acreditar que tudo não passa de uma lenda, ” A lenda de Woolpit”.  Mas o fato é que a verdadeira origem das crianças verdes continua sendo um mistério.

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The Green Children of Woolpit

 

 

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Fontes: ceticismoaberto.com, enigmasemisterios.com, grandesmisteriosdouniverso.blogspot.com.br,

 

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